Todas as pessoas já pensaram em fugir, em sair de casa, e isso começa cedo na adolescência, têm aqueles que não conseguem ter esta coragem e permanecem na casa dos pais até os 30 e poucos, tem outros que decidem sair de casa com os votos de Deus: Eu os declaro: “marido e mulher”. Eu, sempre pensei em sair de casa e sai..bom, sai e voltei e sai novamente. A primeira vez que quis sair de casa foi aos 13 anos, arrumei as roupas numa bolsa azul que tinha, mas o máximo que consegui fugir foi na calçada da frente e ficar sentada lá fora até meia noite, porque depois fiquei com medo e fome...rsA segunda vez foi com 17 anos e realmente de certa forma eu fugia, foram três anos viajando todo mês sozinha, eu era livre! Tinha a sensação de liberdade....pobre moça...quando chegava à outra terrinha me recebiam com calor: bem-vinda gauchinha de Guarapuava, encontrei amigos, encontrei colegas, vi muita força, aprendi muitas coisas neste ir e vir...e decidi parar de estudar, porque o que realmente queria era ir embora, parar de vislumbrar o horizonte da janela e ir em busca de meu destino...
O que aprendi nestas viagens é que na vida existem três respostas: o sim, o não e o espere. O sim normalmente é recebido por nós com euforia, o não nos arrasa e o espere...ah esse é o mais difícil...saber esperar exige sangue, suor e lágrimas.
Mas, sai de casa mesmo depois dos 20, morei sozinha tive o privilégio de fazer o que queria e na hora em que queria, entretanto vivi muitas coisas que apenas uma pessoa grande amiga sabe... Porque tem coisas que é melhor apagar da lembrança...ainda que elas permaneçam em nós como um estigma.
Não voltei mais pra casa dos meus pais “o porto seguro”, mas jamais vou esquecer daqueles que amo...que me dizem no silêncio do olhar: “recomeça de novo, te ajudamos!”


